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As amigas da Internet

Era época de pandemia. Uma vida muito diferente para o mundo inteiro, mas para além do medo da doença e da morte, tinha um componente excepcional: a falta do olho no olho, dos abraços e das conversas sem fim.


Aprendemos ligeiro fazendo as tais “lives” a tentar disfarçar a falta que as presenças nos traziam.


Como eu já havia escrito um livro e gosto bastante de ler e ser lida, entrei num grupo de mulheres cujo nome “Mulheres, livros e vinhos” tinha tudo a ver com minhas necessidades, embora naquele momento, apenas virtualmente.


Um dia fui convidada para conversarmos virtualmente sobre a história que conto no meu livro “Santiago: Caminho de Renovação”. Foi uma farra! Conversei com a mulherada que nunca tinha visto, ri e fiz muitas rirem, foi maravilhoso!


Dias depois, outro convite. Outra “live”. De novo conversei sobre o tema, desmistificando a separação como uma possível queda sem fim. Mostrei tudo. A dor e a delícia de estar separada, os encontros comigo mesma, as inúmeras fontes de renovação que venho me proporcionando.


Nessa segunda experiência eu parecia estar mais solta ainda, e criei, sem perceber, um vínculo diferente com elas.


Ficamos nos comunicando pelo Instagram. Sabendo que uma delas tinha uma casa em Baturité, num lugar paradisíaco da Serra, propus um fim de semana juntas.


Já estávamos vacinadas e a segunda onda do Covid-19 tinha nos dado uma trégua.

Combinamos os detalhes por semanas e finalmente chegou o grande dia.


Delas eu sabia pouco. Uma idade bem inferior à minha, a maioria estava divorciada (e feliz!) e uma ou outra vivia de forma tranquila suas relações afetivas.


Ao comunicar para minha filha e neta que iria para esse fim de semana na Serra, ambas me perguntaram de onde eu conhecia essa mulherada. Respondi apenas que as conhecia da Internet, pelo Instagram.


Minha neta, na época com 15 anos, assídua frequentadora das redes sociais deu um “pulo”!


- Vovó, você não pode ir para um lugar com pessoas que nem sabe quem é. É perigoso! Quem são essas mulheres?

- São minhas amigas da internet, menina! Estou adorando poder ir para um fim de semana com elas.


É claro que em princípio deixei que acreditassem na mais absoluta falta de conhecimento sobre elas, mas a verdade é que eu havia sido colocada naquele grupo por uma grande amiga, que já as conhecia de longas datas e isso para mim era suficiente.


Mas deixei minha filha e minha neta acreditarem numa possível loucura. Adoro essa sensação de impactar a imaginação dos outros.


Durante toda minha estadia, fiquei recebendo mensagens e telefonemas das filhas e neta, preocupadas com meu desatino.


Contei a história para o grupo. Foi gargalhada geral. Hoje, nosso grupo no WhatsApp é identificado como “As amigas da internet”.


Tornamo-nos verdadeiramente ligadas e, a partir desse encontro, muitos outros já se seguiram.


Ter amigas virtuais nunca foi minha pretensão, mas posso garantir que depois dessa história, muitos preconceitos acabaram, e ampliei com elas e através delas aprendizagens, experiências e percepções sobre a vida.


Minhas amigas da Internet são lindas, jovens, cheias de vitalidade. Adorei ousar conhecê-las de perto. Cada vez mais perto, muito perto!




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